Crítica | Madame Teia - O sonho de muitos homens e o pesadelo de todos que forem prestigiar esse filme.

Divulgação | Sony Pictures

TítuloMadame Web (Título original)
Ano produção2023
Dirigido porS.J. Clarkson
Estreia
14 de fevereiro de 2024 (Brasil)
Duração 115 Minutos
Classificação14 - Não recomendado para menores de 14 anos
Gênero
Ação - Aventura 
País de Origem
Estados Unidos 
Sinopse

Cassandra Webb, uma paramédica em Manhattan, tem habilidades de clarividência. Forçada a confrontar revelações sobre seu passado, ela forja uma relação com três jovens destinadas a futuros poderosos.

• Daniel Pereira
• Avaliação - 4/10

O sonho de muitos homens e o pesadelo de todos que forem prestigiar esse filme, se Madame Teia pudesse prever o próprio futuro de seu filme, certamente ela teria desistido dessa ideia e permaneceria sendo uma figura icônica das histórias em quadrinhos. Dizer que esse filme faz jus a uma personagem tão bem construída, é como manchar toda a história de alguém tão importante na vida de uma das figuras mais emblemáticas do selo Marvel.

Madame Teia tem seu início em um cenário bem improvável, no Peru, e tudo começa dar errado exatamente nesse ponto, afinal Cassandra ainda era apenas um feto no útero de sua mãe quando sua história começa, e a origem de seus poderes é mostrada. A ideia de que os poderes de Cassandra vieram de uma aranha já era algo esperado, mas introduzir uma tribo de homens aranhas, isso foi uma ideia tão absurda e sem nexo que destrói toda a origem que os fãs ávidos estavam esperando. De imediato somos apresentados ao vilão do filme, e desde sua primeira aparição ele não tem qualquer presença de tela e não consegue se impor. A atuação de Tahar Rahim é tão medíocre que nem sequer ele consegue projetar ou instigar medo, não há carisma em suas cenas e por mais que ele tente se esforçar para ser um bom vilão, sua presença acaba sendo cômica já que seu papel se resume a ser enganado e apanhar, ele definitivamente não é um homem inteligente como tenta se provar durante todo o filme.

Falando especificamente do roteiro, simplesmente ele não funciona e é extremamente fraco. Apesar de sabermos que o filme se tratava de uma perseguição devido às informações apresentadas no trailer, não há simplesmente nada de novo ou qualquer luta interessante, por sinal as lutas são de fato inexistentes, e quando pensamos que vamos ter um pouco de combate real tudo não passa de enganação. Falando em enganação, certamente os fãs ficarão decepcionados por não ver as personagens de Sidney Sweeney, Isabela Merced e Celeste O'Connor em ação como o trailer nos leva a acreditar. Durante o decorrer do filme elas não passam de meninas comuns sendo perseguidas por um psicopata com poderes de aranha. A motivação de Ezekiel Sims simplesmente é pífia e sem qualquer aprofundamento, assim como sua história de origem que não é mostrada em nenhum momento, de modo que não tenha como entender o ponto de vista dele como vilão. Simplesmente sua perseguição contra o trio de garotas se resume a uma visão, e nada, além disso, e aproveitando esse gancho, o próprio Ezekiel é enganado por seus poderes e nem mesmo isso é explicado de maneira coerente.

Apesar de se arrastar e definitivamente estragar as expectativas do público, Madame Teia consegue entregar uma boa climatização em determinadas cenas. Um exemplo a se destacar é os momentos de fuga do quarteto, onde é possível sentir certa tensão e por alguns momentos você se sente empolgado em ver todo esse desenrolar, mas é apenas isso e nada mais. Falando diretamente do quarteto, é gratificante ver a dinâmica dessas mulheres em cena, tudo parece tão real que por alguns momentos você se sente tentado a participar da conversa. Mesmo que o roteiro não as favorecesse, é inegável a sincronia entre Sydney, Isabela e Celeste que apesar de possuir personalidades diferentes, assim como visões de mundo, às três conseguem se conectar de uma maneira genuína apesar de que o filme se apoia nos clichês para solidificar essa amizade. Felizmente o humor quando inserido em algumas cenas, acaba por funcionar o que já coloca Madame Teia na frente de Morbius que nem isso conseguiu entregar com decência. O toque de humor ácido e a falta de tato de Cassandra em determinados momentos, acabam por retirar risadas sinceras do público, o que serve como um acerto.

Divulgação | Sony Pictures

Apesar dos pequenos acertos, tenho que destacar algo que é totalmente descartável do filme e simplesmente não agrega nada, Ben e Mary Parker. Simplesmente os personagens de Adam Scott e Emma Roberts estão totalmente perdidos, não acrescentam em nada na história e estão ali simplesmente para tampar buraco. Ben por alguns momentos até serve para cumprir o papel de melhor amigo de Cassandra, mas qualquer um poderia ocupar esse lugar e se fosse um personagem totalmente original do filme, cumpriria seu propósito sem qualquer problema. Infelizmente para a pobre Emma Roberts, esse papel acaba por não acrescentar nada em sua carreira, simplesmente é como se não existisse. Porém, a mais prejudicada é Dakota Johnson que apesar de entregar uma performance aceitável, deixa explícito que este não é nem de longe seu melhor trabalho ou personagem memorável. A atriz apesar de seu esforço demonstra desconforto ao encarnar a pele de Cassandra Webb, de modo que nem mesmo durante os momentos de drama ela consegue entregar uma atuação convincente, e nem mesmo o vislumbre de uma lágrima nos conseguimos ter, de modo que toda essa situação cause aflição.

Entre seus muitos erros, tenho que falar do uniforme das personagens que aparece em cortes rápidos, afinal o propósito do uniforme é preservar a identidade secreta do herói, mas o filme deixa literalmente escancarada a face das mulheres-aranha e por esse motivo o vilão consegue as identificar, tudo por causa de uma visão do futuro. Apesar de estar nítido o rosto das garotas, ainda assim o vilão recorre a alta tecnologia para desvendar como de fato é o rosto de suas antagonistas, mostrando mais uma vez que inteligência não é exatamente seu forte. Falando em uniforme, apesar da fidelidade ao uniforme do trio, quando olhamos para o da Madame Teia tudo que podemos sentir é vergonha, assim como uniforme do próprio Ezekiel. Os trajes são literalmente fantasias que parecem ter sido comprados em uma loja, não consegue passar uma boa impressão e causa estranheza. Aproveitando que estamos falando de visão, o CGI do filme não é um grande destaque, ele é usado em momentos específicos para demonstrar o poder de Cassandra que muitas vezes se apresenta com efeitos práticos. Porém, o uso para ilustrar as teias acaba sendo extremamente bonito, mas peca em renderização, deixando uma teor extremamente artificial.

Para aqueles que estão preocupados com a questão dos poderes, de fato o filme segue a risca os dons de Cassandra e de fato eles são muito bem explorados e trabalhados, pelo menos até certo ponto, quando convenientemente a personagem recebe um aumento em seus poderes que lhe permitem estar em mais de um lugar em simultâneo, como se fosse um tipo de projeção astral. Porém, toda a equipe responsável pelo filme parece se esquecer que projeções astrais são intangíveis, então meio que deram um poder de multiplicação para Madame Teia e não souberam como mostrar em cena. Felizmente a fidelidade permanece quando abordam os poderes e apetrechos de Julia Carpenter, Anya Corazón e Mattie Franklin, mas é uma pena que isso não seja mostrado com eficiência no decorrer do filme.

Contando com um final previsível e extremamente clichê, Madame Teia não surpreende em absolutamente nada, mas coerentemente apresenta como Cassandra tornou-se cega, já que muitos estavam sentindo falta desse detalhe. No entanto, logo após vermos seus olhos opacos pela cegueira, na cena final é notável que mesmo atrás das lentes seus olhos estão absolutamente normais e sadios, um erro bem grotesco e amador. Infelizmente o filme se encerra dando esperança de um futuro, onde as personagens poderiam se destacar, mas infelizmente assim como grande parte do filme isso não passa de uma visão. Madame Teia basicamente é o que nasceu para ser, mais um filme esquecível que se junta a uma galeria de erros que jamais deveriam ter saído do papel.

Madame Teia estreia amanhã nos cinemas nacionais e não possui cenas pós-créditos.

Comentários

  1. CARALHO kkkkkkkkkkkkkkkkkk

    ResponderExcluir
  2. Quem poderia imaginar 😱

    ResponderExcluir
  3. MACHISMO 😭

    ResponderExcluir
  4. Se tá no nível de Morbius eu devo gostar, eu gosto de Morbius

    ResponderExcluir
  5. Filmes que parecem lavagem de dinheiro kk

    ResponderExcluir
  6. Não sei porque a Sony continua insistindo nesse universo

    ResponderExcluir

Postar um comentário