Crítica | American Fiction - Satirizando a hipocrisia da indústria de entretenimento, nessa tentativa de ser inclusiva e não ofender, ao mesmo tempo em que faz exatamente o oposto, American Fiction apresenta-se de uma forma cinematográfica distinta, deixando um impacto duradouro no seu público.

Divulgação | MGM Studios

TítuloAmerican Fiction (Título original)
Ano produção2022
Dirigido porCord Jefferson
Estreia
27 de fevereiro de 2024 (Brasil)
Duração 117 Minutos
Classificação16 - Não recomendado para menores de 16 anos
Gênero
Comédia - Drama
País de Origem
Estados Unidos 
Sinopse

Monk é um escritor negro brilhante, mas seus livros não são populares já que ele se recusa a retratar negros de forma estereotipada em seu trabalho. Ele é pressionado por seu editor a criar uma obra comercial e escreve uma história carregada de preconceitos como piada. Só que o livro se torna um best-seller da noite para o dia. Com o dinheiro caindo em sua conta, mas com a consciência pesada, Monk é obrigado a encarnar um personagem do gueto para manter a farsa.

• Por Alisson Santos
• Avaliação - 9/10

Seja com base na orientação sexual, na etnia ou na ideologia política, as massas estão interessadas em discutir, bem, sobre si mesmas. Mas e se você não for interessante o suficiente? Este é o problema em que Thelonious Ellison, o Monk (Jeffrey Wright) se encontra. O escritor e professor profundamente frustrado lançou um novo livro que simplesmente não está capturando a imaginação do público. Seu agente Arthur (John Ortiz) lhe diz que os editores estão atrás de “um livro negro”. “Mas eu sou negro e o livro é meu!” é a resposta de Monk.

Em uma convenção, ele observa uma horda aplaudir de pé uma nova autora (Issa Rae) por seu livro intitulado 'We's Lives In Da Ghetto'. Ela é aclamada por falar “sua verdade” e iluminar a vida dos negros. Furioso com esse retrato limitado e muitas vezes prejudicial dos negros, Monk bebe algumas doses de whisky uma noite e decide tentar escrever sua própria história clichê. Em um cenário periférico, com rappers, crack, armas, criminalidade e o envia para seu agente como uma piada. Logo, não é motivo de riso, pois o livro alcança sucesso instantâneo e, com Hollywood brigando pelos direitos para adaptação cinematográfica, Monk tem que esconder seu verdadeiro eu. Enquanto isso, a sua vida privada está desmoronando.

Divulgação | MGM Studios

Essa sátira emocionante e inteligente é a estreia de Cord Jefferson como diretor, adaptando o livro Erasure de 2001, de Percival Everett. Sensível em muitos aspectos, mas também conflituoso, American Fiction é uma sátira descaradamente esclarecedora e instigante que abrange os reinos do drama e da comédia. É uma daqueles filmes que permanece envolvente, mesmo nas cenas mais bobas, conseguindo um resultado arejado considerando cargas temáticas tão pesadas. 

O elenco brilhante e uma história habilmente tecida garantem que momentos engraçados, de raiva e comoventes se misturem perfeitamente. É um prazer testemunhar a atuação de Jeffrey Wright, e você sai querendo passar mais tempo com ele. Ele interpreta seu personagem com uma perfeição alucinante, entregando um dos melhores desempenhos da sua carreira. Além disso, a compositora Laura Karpman infunde alguns temas musicais maravilhosas, inclinando-se para o jazz piano que conversa tematicamente com os momentos cruciais do nosso protagonista. Nem tudo em American Fiction é tão magistral, existe uma subtrama romântica entre Monk e uma vizinha, interpretada por Erika Alexander, que parece um pouco insossa. Ainda sim, quando satiriza a hipocrisia da indústria de entretenimento, nessa tentativa de ser inclusiva e não ofender, ao mesmo tempo em que faz exatamente o oposto, American Fiction apresenta-se de uma forma cinematográfica distinta, deixando um impacto duradouro no seu público.

O filme chega ao Brasil no dia 27 de fevereiro no Prime Video.

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