Crítica | Às Vezes Quero Sumir - Exige paciência do espectador, mas, para um filme sobre a ausência de emoção, oferece uma conclusão emocionalmente poderosa.

Divulgação | Synapse Distribution

TítuloSometimes I Think About Dying (Título original)
Ano produção2022
Dirigido porRachel Lambert
Estreia
23 de maio de 2024 (Brasil)
Duração 93 Minutos
Classificação14 - Não recomendado para menores de 14 anos
Gênero
Drama
País de Origem
Estados Unidos
Sinopse

Ambientado numa pacata cidade costeira dos EUA, a história segue os passos de Fran (Daisy Ridley), uma jovem muito tímida que vê sua rotina mudar ao sentir o desejo de conhecer melhor um novo colega de trabalho, Robert (papel do ator e comediante Dave Merheje). Entre sessões de filme e jantares, os dois se aproximam, e logo a única barreira para um relacionamento será a própria Fran. 

• Por Alisson Santos
• Avaliação - 8/10

O doce e calmo filme da diretora Rachel Lambert, Às vezes Quero Sumir, enquadra pensamentos suicidas como uma estratégia de sobrevivência. Daisy Ridley interrompe a fase de grandes blockbusters de sua carreira para interpretar Fran, uma moça retraída que evita contato visual no escritório que trabalha, mora sozinha e raramente diz uma palavra. Seus colegas de trabalho geralmente a ignoram, deixando-a sozinha, exceto por questões envolvendo o trabalho. À noite, na privacidade de sua própria casa, ela passa o tempo imaginando-se morta, com seu corpo exibido em vários quadros artísticos, como um funeral viking ou um cenário de floresta. Ela não deseja morrer, ela apenas está fascinada com a ideia mórbida de tudo isso, de como seria estar morta. De como o vazio da morte seria diferente do vazio que é a sua vida. 

Ela é invisível para todos no trabalho, exceto para o novo contratado Robert (Dave Merheje). Ele é um cara conversador, amigável e extremamente engraçado. No primeiro dia de trabalho, ele diz a todos que gosta de comida tailandesa, de ir ao cinema e de silêncios incômodos. Parece que ele e Fran vão se dar bem. A amizade deles começa com uma troca de e-mails relacionados ao trabalho que termina em um encontro no cinema. Desesperados por conexão, eles são atraídos um pelo outro, com momentos de silêncios desconfortáveis e tudo.

Às Vezes Quero Sumir é um filme tranquilo que revela sua mundanidade. Desde a conversa fiada no escritório, vivência casual de amigos jogando um jogo de mistério e assassinato até o momento de um encontro ou adormecer enquanto assiste a um filme, é um estudo da vida cotidiana, na perspectiva de uma pessoa oprimida pela vida. Enquanto Robert se esforça para extrair informações de Fran sobre quem ela é e do que ela gosta, as sequências de fantasia do filme nos dão acesso ao complexo e criativo mundo interior para o qual ela foge para se sentir real. 

Divulgação | Synapse Distribution

Daisy Ridley apresenta o melhor desempenho de sua carreira como alguém desconfortável, mesmo em sua própria zona de conforto. Fran poderia ter sido uma personagem sem traços discerníveis, mas Ridley faz muito com pouco. Essa aspecto reservado de sua personagem é uma máscara, e Ridley hesitantemente permite que a personalidade espreite através dela. É uma performance bonita e silenciosa que poderia ter sido enfadonha, mas Daisy cria algo na ausência de quaisquer traços de personalidade marcante. A diretora e a atriz realmente entendem e se conectam com a psicologia de Fran, e a revelam de uma forma que evita reduzi-la a um clichê de filmes que tratam sobre saúde mental.

Outro destaque é Marcia DeBonis como Carol, uma ex-colega de trabalho que faz um monólogo devastador perto do final do filme. Carol e Fran não têm nada em comum, exceto por ocuparem o mesmo espaço enquanto trabalhavam juntas, mas de uma forma sincera e comovente, Carol dá esperança a Fran. Sem spoilers aqui, mas esta cena e a seguinte são o ápice da escrita desse longa. Às Vezes Quero Sumir exige paciência do espectador, mas, para um filme sobre a ausência de emoção, oferece uma conclusão emocionalmente poderosa.

Às Vezes Quero Sumir estreia em 23 de maio nos cinemas nacionais.

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