Crítica | Elementos - Não pode nem deve ser reduzido a “um filme para toda a família”, embora o impacto do seu entretenimento seja o seu gancho comercial mais evidente.

Divulgação | Pixar Animation Studios
TítuloElemental (Título original)
Ano produção2021
Dirigido porPeter Sohn
Estreia
22 de junho de 2023 (Brasil)
Duração 112 minutos 
ClassificaçãoL - Livre para todos os públicos 
Gênero
Animação - Romance - Comédia 
País de Origem
Estados Unidos
Sinopse

O filme acompanha uma dupla improvável, Ember e Wade, em uma cidade onde moradores do fogo, da água, da terra e do ar vivem juntos. A jovem fogosa e o cara que segue o fluxo estão prestes a descobrir algo elementar: o quanto eles realmente têm em comum.

• Por Alisson Santos
• Avaliação - 7/10

Elementos é um belo filme, tanto audiovisual quanto sensível, que aborda levemente questões como a desigualdade social, imigração, amor próprio, coragem e sobre viver seu verdadeiro eu. Tudo isso entrelaçado na história de dois elementos opostos, água e fogo, que conseguem encontrar uma maneira de expandir o escopo de suas vidas em vez de se concentrar em como suas diferenças podem literalmente anulá-los. O confronto desses dois elementos acontece na Cidade dos Elementos, onde coexistem Água, Terra, Ar e Fogo. O filme traça a jornada dos pais de Faísca, de uma forma que faz alusão direta à experiência de emigrar e como certos lugares favorecem abertamente certas classes. No caso da Cidade dos Elementos, as estruturas de poder e privilégios pertencem a Água e Ar enquanto Terra e Fogo enfrentam os desafios e vicissitudes da classe trabalhadora. É neste contexto que Faísca conhece Gota. Ela está prestes a herdar o negócio de seus pais, e um acidente no encanamento do prédio faz com que Gota literalmente inunde sua vida.

Divulgação | Pixar Animation Studios

A força da história da Pixar sempre foi ajudar o público a processar sentimentos profundamente pungentes e melancólicos sobre o mundo - tristeza, perda, medo do abandono e até mesmo a natureza da alma. Essas são questões importantes que muitos fornecedores contemporâneos de entretenimento para crianças ignoram. Com uma história baseada nos quatro elementos, você pode imaginar, por exemplo, uma exploração de tentar pegar os fenômenos mais assustadores do mundo e injetar neles admiração. Elementos caminha em algumas dessas direções, mas nada chega ao seu ápice porque não é totalmente desenvolvido. O filme parece que tem medo das próprias ideias, de talvez se tornar adulto demais e escapar dessa abordagem mais simplista para os pequenos.

Embora a estrutura e o desenvolvimento da trama sejam bastante simples, não deixa de ser fascinante como os animadores dessa produção conseguem criar belas imagens que manifestam o subtexto de tudo que essa história carrega. Os mais novos poderão iniciar conversas que dão uma leitura diferente ao filme cada vez que o revêem. Enquanto os adultos podem mais uma vez enfrentar a beleza criativa que expressa nossas melhores qualidades e aspirações como sociedade. Algo que não pode nem deve ser reduzido a “um filme para toda a família”, embora o impacto do seu entretenimento seja o seu gancho comercial mais evidente.

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